Éramos uns moleques. Mas ele insistia no aquário.O dono do aquário era um japonês branquelo e alguns kilos a mais que o seu ideal. O apelido de Buda caiu perfeitamente, principalmente depois que rasparam sua cabeça no trote dos novatos.
Numa casa, onde moravam 11 dos mais variados tipos, ele, com aquários e cozinha gourmet com vinhos brancos importados, destoava. Pra nossa sorte e risadas (que na época não faltavam).
Ele insistia em trazer peixes, criá-los e fazer troça da nossa ignorância. Nós insistíamos em jogar toda a sorte de surpresa n'água para irritá-lo. Amarrávamos uma pedrinha ao fio-dental e este ao objeto, que ia ao fundo.
A cada tantos dias, limpava o aquário, retirava os trastes e, eventualmente, colocava novos espécimes com nomes lindos, substituídos automaticamente por apelidos jocosos por nós, os moleques.
Mas todos convivíamos bem, até. Assim como os peixes conviviam com os nossos brinquedos.
Paciência oriental.
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