Passei parte da minha infância assistindo TV. Minha mãe trabalhava dois períodos e eu sou filho único, o que me deixava o período da tarde inteiro pra fazer lição, ser mimado pela avó e assistir a Sessão da Tarde e/ou equivalente.
Como diria Jim Carrey em "Cable Guy", eu aprendi os fatos da vida assistindo ao "Fatos da Vida" (uma pena não ter nenhum programa na TV brasileira da época pra fazer um trocadilho tão bom).
Bom, auto-análise à parte, o fato é que minha formação musical foi de certa forma cunhada pelos desenhos animados. Ouço jazz e sempre lembro de Tom e Jerry, ou então me vem cenas do Pernalonga ao ouvir uma peça clássica como "Cavalaria Rusticana" ou o "Barbeiro de Sevilha ("fígaro cá!") por exemplo.
No escritório, graças a um shuffle doente do meu companheiro de função, entre um punk rock do Bad Religion e uma viagem do Queen pipocam clássicos Clássicos (aqueles onde velhos barbados, carrancudos e caricatos usando gravata borboleta regem um zoológico de instrumentos).
- Que é isso? - me assustei dia desses.
- "Abertura Solene" de Tchaikovsky.
Deus, não consigo pensar em uma trepada de elefantes em uma fábrica de sinos. No final ao invés de cigarro, Berlin é bombardeada.
Ah, se eu fosse Disney!
Que sorte dessas malditas crianças.
(update, o gol é aos cinco minutos ou lá pelo Terceiro ou Quarto Movimento. Uma versão bem menos roots da que ouvi, disponível aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=J6LY11kV444. Infelizmente: "Embedding disabled by request")