terça-feira, março 23, 2004

Domingo, dia 22 de março

Domingo de manhã não devia ser contabilizado em nenhuma agenda. Aliás, programação de TV, atrações culturais e latidos caninos deviam ser proibidos por lei e abatidos pela força aérea caso a descumprissem.
Mas enfim, domingo de manhã existe, como rito de passagem para almoço de domingo, domingo à tarde e finalmente Fantástico (esse último sim, faz falta na agenda).
De qualquer maneira, meu domingo de manhã começa às 11h, porque ai falta apenas uma hora pro horário internacional do almoço de domingo. "Senhores, sincronizem seus relógios!".
Um pouco groge e tentando acertar o botão que liga a TV – a caixa de diálogos automática que faz meu cérebro lembrar que o mundo lá fora existe, em uma hora dessas – cambaleei até o banheiro para poder acordar debaixo do chuveiro (sim, porque despertar, levantar e acordar não são três verbos diferentes à toa).
Desperto e vestido como homem de respeito (barbeado e tal), escolhi um All Star para a ocasião e lembrei do item que faltava: anexo 4, parágrafo único do Manual de Vestimentas do Homem de Respeito, vulgo blazer ou casaco similar, objeto usado em ocasiões de a) negócios; b) casamentos; c) "fazer uma presa com a(s) mina(s)" e d) "frescura, e por quê não?". Nota: essa é a versão para homens, do manual, na versão feminina consta como "a) Sempre, independente do clima ou da ocasião. A recusa em usar pode ser penalizado com greve de sexo" ou critical hosttage situation, como dizem os americanos.
Blazer que se preza vai para a lavanderia. Lavanderia que se preza passa pelo selo de qualidade que só uma pessoa pode dar sobre tal assunto: mãe. Mãe é aquele pilar familiar, moral e seguro...e que mora em casa separada, de preferência a alguns kilômetros de distância (não o suficiente ser classificado como "longe", mas em um raio de segurança que também não possa ser classificado como "perto").
Carro limpo, presente atrás do banco do passageiro, tanque cheio e mapa perto do blazer, na casa da mãe, não muito longe...e a velha a fiar.
Oi. Beijo. Almoço na mesa. Lambe os beiços. Cadê o blazer? Tem casamento do Marcel e da Laura hoje. Ah é? O que tinha cabelo comprido e era de Jundiaí e namorava a mocinha de olho azul de Araras? Araraquara? Manda beijo e abraço. Convite na mão. "Marcel e Laura convidam e tals"...
- Pois é, vai ser em Itupeva, deixa eu olhar no gúgolméps. Tá, dia 21...domingo....
- Não meu filho, dia 21 foi ontem. Lembro porque tinha uma tia que...(inaudível)
- Foi ontem? Impossível, hoje é dia 21!
- Olha na folhinha, filho. Hoje é 22.
Folhinha conferida e o frio na barriga:
- Ai, car%lho!
Volta para trás e pega o telefone:
- Marcel! Me confundi, perdi seu casamento!
- (risadas) Só você mesmo!
- Laura! Me confundi, perdi seu casamento!
- (mais risadas) Não acredito!
Desculpas mil, muito trabalho e tudo o mais que faz a gente esquecer as datas e confundir os dias. Promessa que vou no final de semana que vem e ainda sair devendo muito pro casal que adoro (e que acompanhei desde a faculdade) e que agora vai ter nenê (um agora relativo, digo, não exatamente nesse instante).
- Vou pôr a história no blog!
- Claro, pode colocar - mereço, afinal.
Melhor que pixe e penas, penso.