Tal qual o coelho branco, não parava para ver a vida passar. Ia ao encontro, cronometrando o tempo perdido.
Um dia quebrou o pé (sinal de má sorte, entre os coelhos). Entre um ponto e uma vírgula olhava os outros coelhos nos seus tempos e compassos. Quando sempre deixada sozinha, na sua limitação espacial, descobria-se insustentavelmente um ser carente do tempo alheio. Daí a epifania: para isso lhe servia o relógio atado às vestes. Para roubar tempo dos outros, e com isso suas atenções.
Tac.
Pensamentos ordinários, peripécias desimportantes, imagens inadvertidas e uma longa lista de poréns...
segunda-feira, janeiro 29, 2007
Minha cozinha em números
Abri o armário atrás de um copo. Ao alcance da mão estava um de plástico verde que me causou a epifania. Tinham sido quatro bolachas pra ter aquela porcaria de copo de plástico verde quase descartável. Outro da mesma coleção, azul, mais quatro pacotes de bolacha e outro laranja idem.
Ao fundo vinte sachês de café solúvel tinham me dado direito à caneca vermelha. Eram duas.
Um par de taças de vinho que tinham sido trocadas por 10 refeições em um restaurante fast-food.
Uma conta por cima revelou 16 copos de requeijão de marcas variadas (percebe-se pela silhueta), além de mais dois ou três pratos de outra promoção do tal restaurante acima, uma jarra do suco com o logo do fabricante do pózinho colorido, ótimas vazilhas vazias de um outro café solúvel, potes atarracháveis sobrados de geléias e outras tantas quinquilharias.
Minha cozinha se transformou em reduto do resto da publicidade das grandes corporações.
Penso que é a vez de mobiliar a sala. Acho que vou apelar pras marcas de cigarro.
- Um sofá por um câncer, vocês fazem?
Ao fundo vinte sachês de café solúvel tinham me dado direito à caneca vermelha. Eram duas.
Um par de taças de vinho que tinham sido trocadas por 10 refeições em um restaurante fast-food.
Uma conta por cima revelou 16 copos de requeijão de marcas variadas (percebe-se pela silhueta), além de mais dois ou três pratos de outra promoção do tal restaurante acima, uma jarra do suco com o logo do fabricante do pózinho colorido, ótimas vazilhas vazias de um outro café solúvel, potes atarracháveis sobrados de geléias e outras tantas quinquilharias.
Minha cozinha se transformou em reduto do resto da publicidade das grandes corporações.
Penso que é a vez de mobiliar a sala. Acho que vou apelar pras marcas de cigarro.
- Um sofá por um câncer, vocês fazem?
Inacabada
O que me assusta é perceber que ao juntar os caquinhos para colar, existem pedacinhos que são dela. E a obra que ia ser assim um remendo só vira, de repente, uma escultura de Gaudí.
Imagino se fossem colados, juntos com todas as partes, que obra bonita de se ver que ia dar.
Mas fica assim, do jeito dito antes, com título embaixo em letrinhas colantes numa plaquinha branca "obra inacabada, não toque".
Imagino se fossem colados, juntos com todas as partes, que obra bonita de se ver que ia dar.
Mas fica assim, do jeito dito antes, com título embaixo em letrinhas colantes numa plaquinha branca "obra inacabada, não toque".
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