Então nos falamos cada vez menos. Um dia paramos por completo. Dia ou outro era um oi ou bom dia.
Depois nos encontraríamos na rua. Sem assunto puxaríamos um papo sem importância. Simpático, eu sugeriria algum assunto. Ou talvez não. Talvez com pressa ou de mau humor. Talvez não quisesse.
- Me passa seu email, acho que perdi.
- Claro, tá aqui meu cartão.
- Aproveita e anota o meu.
- Tem papel?
- Tenho, e tá aqui a caneta.
- Legal, vamos combinar algo.
- Vamos sim.
- E tal coisa assim.
- Qual? Ah, larguei no meio.
- Legal.
- Beijo, a gente se vê.
- Isso. Mas não pode furar!
- Pode deixar.
Nos viraríamos e continuaríamos nosso caminho. Pode ser que um de nós se virasse para trás uma última vez. Talvez não.
Pensamentos ordinários, peripécias desimportantes, imagens inadvertidas e uma longa lista de poréns...
terça-feira, outubro 31, 2006
domingo, outubro 22, 2006
Video conceito
Esse video é uma colagem de alguns pedaços de vídeos que fiz durante a caminhada do grupo de "Poéticas Visuais" pelo centro de Campinas.
Não sou profissional, apenas curioso. E, cá entre nós, não é vídeo, são fotografias com um longo tempo de exposição.
Atualizando: nos vídeos de Montevidéo, mais umas questões do que é foto e o que é vídeo. Montevídeos, como eu e o Vagner (companheiro de viagens teóricas) brincamos. Mas talvez caiba "fotoação" ou algum neologismo.
Não sou profissional, apenas curioso. E, cá entre nós, não é vídeo, são fotografias com um longo tempo de exposição.
Atualizando: nos vídeos de Montevidéo, mais umas questões do que é foto e o que é vídeo. Montevídeos, como eu e o Vagner (companheiro de viagens teóricas) brincamos. Mas talvez caiba "fotoação" ou algum neologismo.
Acordeão
Fosse pra espantar os fantasmas ou chamar fregueses, o dono do bar tocava o instrumento em uma dimensão própria.Sorri e com um abano de cabeça pedi licença. Com outro abano de cabeça ele respondeu sim. Fotografei, sorri e fiz menção de bater palmas (não bati por respeito à música: não se deve interromper). Ele sorriu de volta e fez menção em agradecer (também não o fez em respeito ao público: não se deve interromper). E ficou lá, soltando "Moreninha linda do meu bem querer" para o bar vazio.
Tempo
(pause) Não consigo não pensar em um túnel do tempo levando apenas os prédios e o senhor em destaque. (solta pause)
Ponto de fuga
Tudo andando. Vamos, vamos (buzina, motor acelerado, olhar feio: "Tá atraplalhando o trânsito"). Existe na cidade (nas cidades) toda uma rede de proteção ao pedestre, para evitar que esses bichos motorizados nos mordam. Em um terminal de ônibus me sinto, às vezes, na jaula dos leões. Abrem-se as portas basculantes e vamos nós fazer o velho truque de pôr a cabeça na boca deles.E se morde?
Decifra-me
Entretido em algum tipo de jogo (arrisco o palpite: Sudoku, essa "mania nacional") o cidadão nem notou as minhas várias tentativas de fazer a foto.Foco, transeuntes, composição, detalhes técnicos, tudo pacientemente resolvido sem que o homem sequer me notasse.
Concentração! É o que os orientais ensinam.
Condomínio Fechado
Um detalhe nos túneis que levam ao Terminal de Ônibus de Campinas: têm uma infra-estrutura proveniente da superestrutura cidade. Fios de força "gateados" iluminam as sombras que se formam certas horas do dia.O público que é tão público que pode ser individualizado. É meu, é dele, é seu. Mas quem fez o gato leva vantagem.
Túneis
Do calçadão de Campinas ao Terminal de ônibus é possível cortar caminho por uma série de túneis, esses povoados por camelôs de todos os tipos e níveis de necessidades de consumo.
Pra onde vai o fluxo
Esses sim. Manequins menos esnobes, o reflexo do lado de cá em forma viva. Aposto que as figuras na foto de baixo invejam todo esse nosso movimento, ou até esse visual.
Desejo e reflexo
A foto dos manequins deveria dialogar com a foto de cima. Ao contrário, dialogou com meu reflexo e de meus companheiros de movimento.
Leia atentamente
Humor negro, eu sei.Péssima atitude, foto descontextualizada. Também sei.
Mas o dedo não resistiu.
Mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa.
Catacumbas
Tiraram algumas tábuas debaixo de um tapete velho, atrás do altar. Algo secretíssimo.Embaixo da igreja, a tumba de alguns bispos. Abafado e apertado o lugar se enche de turistas (os mesmos da linha de empedimento contra a beata). Tem quatro bispos em gavetas, e lugar pra mais meia dúzia.
A cara de frustração é geral. Igreja grande, merecia catacumbas que fizessem juz ao nome.
Podiam ter escavado um pouco mais. Custava nada. Nem que enterrassem alguns padres de hierarquia menor. Vai ver o plano de carreira não incluía.
Nossa Senhora do Canto Direito
Sou ruim pra santo. Admito. Nas várias versões da Nossa Senhora (lógica também aplicável para bonequinhos do Spawn), fiquei na dúvida dessa.
Minha mãe que não me veja titubeando.
-Mas manto azul, meu filho, é claro que é a Nossa Senhora...(complete aqui).
Escada para o céu
Não é difícil de se espantar com uma escada no meio da nave principal da igreja.Também não é difícil achar estranho toda a dinâmica dentro da Igreja Matriz. Assim como na Sé, os turistas marcham em bandos enquanto os fiéis se concentram para fazer a oração.
Uma beata, com seus afazeres de beata, dribla dois ou três turistas (nós entre eles) e marca seu ponto, arrumando a toalhinha no palanque. Quase soltei um animado "Gooooooool!" mas achei melhor não. A senhorinha não era das que parecia levar uma brincadeira na esportiva (com o perdão do trocadilho).
Vigiar e proteger

Estávamos, nós o grupo de "Poéticas Visuais", em uma rodinha, quando a viatura se deslocou para perto da gente. Afinal podia ser baderna, arruaça. Ou então julguei mal e éramos visados por uma orda de mal elementos invisíveis a nossos olhos de artistas.
Uma coisa ou outra, estávamos bem acompanhados: deus e a polícia. Ambos de alguma forma tentam, ostencivamente te salvar de algo que pode vir a acontecer, mas que não é certeza.
Começamos a caminhada pelo centro de Campinas, onde iríamos dar uma de astronautas antropólogos e tentar enxergar a estrutura invisível aos transeuntes e as relações entre esses últimos e a cidade.
-Para o alto e avante! - e saimos voando.
sexta-feira, outubro 13, 2006
terça-feira, outubro 03, 2006
Caça
Sangue de caçadores, imagino. Porque quando a barata se aventurou em seu quarto notou de canto de olho.
As havaianas já descalçadas debaixo da cama foram retomadas pela mão ainda enrrugada do banho.
Ficou à espreita e deu o bote. Bicho esperto que era aquele inseto, escapou rapidinho pro canto atrás do guarda-roupa.
Como o sangue que corria trazia consigo talvez um remoto instinto dos ascendentes longinquos, fez tocaia, movendo alguns móveis, abrindo clareiras onde a arma pudesse ser usada com exatidão na hora do abate. Depois foi pra porta da caverna, feita de duas paredes e um guarda-roupa. Lembrou de como a professora, muito tempo atrás, mostrou no livro onde homens da caverna empurravam o mamute para o precipício. Jogou um chinelo pra assustar o incômodo inseto e esperou do outro lado.
Por um segundo, ou menos que isso, quando para sair de seu esconderijo, o inseto e seu algoz se entreolharam no que pareceu serem longos minutos. O pequeno ser disparou, correndo pela sua (breve) vida. Foi fulminada pela segunda investida da chinela.
- Bicho burro - pensou, mastigando um sentimento de dever cumprido no fundo da alma - Te peguei.
As havaianas já descalçadas debaixo da cama foram retomadas pela mão ainda enrrugada do banho.
Ficou à espreita e deu o bote. Bicho esperto que era aquele inseto, escapou rapidinho pro canto atrás do guarda-roupa.
Como o sangue que corria trazia consigo talvez um remoto instinto dos ascendentes longinquos, fez tocaia, movendo alguns móveis, abrindo clareiras onde a arma pudesse ser usada com exatidão na hora do abate. Depois foi pra porta da caverna, feita de duas paredes e um guarda-roupa. Lembrou de como a professora, muito tempo atrás, mostrou no livro onde homens da caverna empurravam o mamute para o precipício. Jogou um chinelo pra assustar o incômodo inseto e esperou do outro lado.
Por um segundo, ou menos que isso, quando para sair de seu esconderijo, o inseto e seu algoz se entreolharam no que pareceu serem longos minutos. O pequeno ser disparou, correndo pela sua (breve) vida. Foi fulminada pela segunda investida da chinela.
- Bicho burro - pensou, mastigando um sentimento de dever cumprido no fundo da alma - Te peguei.
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