Na vizinhança traquila o carro parado depois de várias tentativas de fazê-lo pegar era uma atração.
Alguns vizinhos se empoleiravam por cima do capô para dar todo tipo de opinião. Uma lição de mecânica bem aproveitada, apesar dos nomes estranhos das peças, algumas inventadas para impressionar uns aos outros, tinha certeza.
Passado todas as tentativas de fazer o outrora bólido de metal pegar não restaram alternativas a não ser deixá-lo encostado na guia, poucos metros de onde estava parado no começo da gincana de adivinhações.
Dispersado os vizinhos, todos um pouco frustrados por não terem um motivo para comemorar era hora de chamar o mecânico. Acabara o momento de menino dos homens crescidos: o brinquedo estava mesmo quebrado.
Pensamentos ordinários, peripécias desimportantes, imagens inadvertidas e uma longa lista de poréns...
quinta-feira, setembro 28, 2006
Musa
Olhava a tela há horas, sem a mínima idéia do que escrever.
Eventualmente saía, dava uma volta, fumava um cigarro ou dois, olhava as estrelas (que agora podiam ser vistas, graças ao calor infernal das noites do inverno atípico). Algumas das rondas podiam incluir ir até a geladeira e abrir a porta. Não que houvesse fome mas o hábito, recompensado pela brisa fresca que saía de lá, era mais forte.
Voltava e ainda não havia idéia do que escrever.
Antes não. Tinha diversas idéias, e o hábito virou diário. Mas agora a inspiração estava estancada, apesar da musa estar presente, de olho por sobre os ombros. Era uma imagem recorrente, a dela, à meia luz e com os olhos negros perdidos entre o lusco-fusco e as sombras da coberta, sorrindo cansada e leve.
Era tanto pra se dizer que a tela continuava em branco, pois sabia que ia faltar palavras pra descrever toda a intensidade.
Eventualmente saía, dava uma volta, fumava um cigarro ou dois, olhava as estrelas (que agora podiam ser vistas, graças ao calor infernal das noites do inverno atípico). Algumas das rondas podiam incluir ir até a geladeira e abrir a porta. Não que houvesse fome mas o hábito, recompensado pela brisa fresca que saía de lá, era mais forte.
Voltava e ainda não havia idéia do que escrever.
Antes não. Tinha diversas idéias, e o hábito virou diário. Mas agora a inspiração estava estancada, apesar da musa estar presente, de olho por sobre os ombros. Era uma imagem recorrente, a dela, à meia luz e com os olhos negros perdidos entre o lusco-fusco e as sombras da coberta, sorrindo cansada e leve.
Era tanto pra se dizer que a tela continuava em branco, pois sabia que ia faltar palavras pra descrever toda a intensidade.
sexta-feira, setembro 15, 2006
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