Abri o armário atrás de um copo. Ao alcance da mão estava um de plástico verde que me causou a epifania. Tinham sido quatro bolachas pra ter aquela porcaria de copo de plástico verde quase descartável. Outro da mesma coleção, azul, mais quatro pacotes de bolacha e outro laranja idem.
Ao fundo vinte sachês de café solúvel tinham me dado direito à caneca vermelha. Eram duas.
Um par de taças de vinho que tinham sido trocadas por 10 refeições em um restaurante fast-food.
Uma conta por cima revelou 16 copos de requeijão de marcas variadas (percebe-se pela silhueta), além de mais dois ou três pratos de outra promoção do tal restaurante acima, uma jarra do suco com o logo do fabricante do pózinho colorido, ótimas vazilhas vazias de um outro café solúvel, potes atarracháveis sobrados de geléias e outras tantas quinquilharias.
Minha cozinha se transformou em reduto do resto da publicidade das grandes corporações.
Penso que é a vez de mobiliar a sala. Acho que vou apelar pras marcas de cigarro.
- Um sofá por um câncer, vocês fazem?
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