quinta-feira, setembro 28, 2006

Musa

Olhava a tela há horas, sem a mínima idéia do que escrever.
Eventualmente saía, dava uma volta, fumava um cigarro ou dois, olhava as estrelas (que agora podiam ser vistas, graças ao calor infernal das noites do inverno atípico). Algumas das rondas podiam incluir ir até a geladeira e abrir a porta. Não que houvesse fome mas o hábito, recompensado pela brisa fresca que saía de lá, era mais forte.
Voltava e ainda não havia idéia do que escrever.
Antes não. Tinha diversas idéias, e o hábito virou diário. Mas agora a inspiração estava estancada, apesar da musa estar presente, de olho por sobre os ombros. Era uma imagem recorrente, a dela, à meia luz e com os olhos negros perdidos entre o lusco-fusco e as sombras da coberta, sorrindo cansada e leve.
Era tanto pra se dizer que a tela continuava em branco, pois sabia que ia faltar palavras pra descrever toda a intensidade.

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